

Preferir a paz à guerra e procurar soluções humanas para os conflitos tem sido a meta dos estadistas e dos grandes chefes militares. No auge da civilização militar, adotou-se o princípio "Si vis pacem para bellum" - se quereis a paz preparai-vos para a guerra - seguindo o qual foi estabelecida na antiguidade a paz romana que acabou com as pequenas hostilidades generalizadas.
Nos chefes militares modernos encontramos as maiores manifestações pacifistas. Frederico II, o Grande, afirmava que "se fosse Rei da frança, não se daria mais um tiro de canhão na Europa" e na carta a Villiers de 18.12.1785 "estou com os sentimentos de preferir a paz à guerra". O nosso bravo osório "dizia que o seu maior desgosto era ver sua pátria em luta, e achar-se em um campo de batalha; e que a sua data mais feliz seria aquela em que lhe dessem a notícia de que os povos civilizados, pelo menos, festejavam a sua confraternização, queimando os seus arsenais". (Histório do General Osório por Fernando Luís Osório p.XXVI).
Foch, o comandante dos Exércitos Aliados em 1918 escreveu: "Decididamente, o dever é partilha de todos os homens: acima dos exércitos para comandar vitoriosamente, está o país para servir; está a justiça para respeitar; acima da guerra está a paz". Eisenhower tem uma declaração semelhante e o general Norman Schwarzkof, comandante das Forças Aliadas na Guerra do Golfo Pérsico, afirmou em fevereiro de 1991: "Nenhuma pessoa inteligente pode ser a favor da guerra".
Relativamente aos positivistasconvém lembrar que Augusto Comte, como aluno da politécnica, promoveu a formação de um batalhão de artilharia para a defesa de Paris na última batalha dos Cem Dias onde lutou heroicamente nas Buttles - Chaumont, conforme relata J. Lonchampt na Epítome p. 17.
Benjamin Constant esteve na linha de frente na Guerra do Paraguai, donde só saiu por cair doente. No glorioso 15 de novembr assumiu o comando da 2a. Brigada até a chegada de Deodoro e cavalgou na frente da tropa até o fim da jornada. Foi ministro da Guerra por sete meses, de 15.11.1889 a 22.6.1890, tendo criado a Comissão de Reforma das Escolas Militares (Rio, Rio grande do Sul e Ceará), a Comissão para Organização do Código de Justiça Militar, a Escola Superior de Guerra, e a Comissão de Reorganização do Exército. Nunca se descuidou , portanto, da operosidade militar. Além dos exercícios nos quartéis e campos de manobra, houve o trabalho penoso da Comissão Rondon que absorveu e sacrificou muitos positivistas. Nas duas Grandes Guerras Mundiais, os positivistas estiveram nos seus postos. Os chamados "jovens turcos" que contribuiram para o reaparelhamento do Exército continham positivistas e os autênticos comandados pelo Ataturk eram de orientação declaradamente positivista. A Missão Militar Francesa foi promovida por atuação de positivistas: marechal Hermes, gerneral Tasso fragoso, diplomata Graça Aranha.
Na Marinha, nunca houve essa falsa acusação de despreocupação profissional, havendo até justas homenagens como Centro de Adestramento Almirante Marquês de Leão, Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, Cebtro de Artilharia Almirante Gomes Ferraz e Base Almirante Castro e Silva.
Quem lamenta a vitória do Exército sobre a Revolução Federalista e os rebeldes de Canudos confunde os fatos e e atribui aos positivistas coisas com que eles não tem nada a ver. São antipatias gratuitas dos que desconhecem as obras e a incomparável grandeza de Augusto Comte.
Os militares positivistas não pregam a violência, exceto contra a própria violência, mas não fogem da guerra. Se houve algum período de menor atenção à parte prática da instrução militar, a culpa não cabe aos positivistas que, logo ao reassumirem os postos da direção, promoveram a sua remodelação. A cultura geral é necessária aos chefes militares e não colide com as obrigações profissionais. Na defesa da República dirigida por Floriano, muitos civis positivistas pegaram em armas, como Saturnino Brito, Manuel Miranda, Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado, etc. Figuras como Benjamin Constant, Rondon, Trompowsky, Manuel Rabelo, Raimundo Sampaio, Poli Coelho, Klinger, Alfredo Severo e tantos outros positivistas só honraram o Exército Brasileiro.
Henrique Batista da Silva Oliveira*
* O autor é CAlte
Revista do Clube Militar, Ano LXX, No. 333, Fevereiro de 1997.

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