HUMANIDADE
BOLETIM INFORMATIVO DA IGREJA POSITIVISTA DO BRASIL
O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim.




POSITIVISMO E TEOLOGISMO

    A diferença entre o Poder Supremo positivo e o teológico está no fato de o positivo depender, em parte, da vontade humana científica e sinteticamente disciplinada, e manifestar-se sempre diretamente, a todo o momento e quotidianamente, de modo muito claro e insofismável, permitindo uma unificação universal e duradoura; enquanto o teológico, que dominou no passado enquanto se buscava empiricamente sua melhor definição, submetia tudo à sua vontade, muitas vezes indecifrável, manifestando-se sempre indiretamente, através de diferentes interpretes, de modo vago e parcial, nunca permitindo unificação universal, tampouco duradoura.

    A única razão pela qual o positivismo ainda não domina os corações da maioria social é o fato de ser pouco conhecido. Visto que ele representa no tempo e no espaço a mais digna sucessão moral que possa existir. Não há nada que se lhe possa comparar em organicidade e construtividade, pois, é o resultado de uma multimilenária evolução espontânea da Humanidade, que, por força de lei natural, compreende todas as fases anteriores, desde as mais primitivas até as mais evoluídas. Não é por acaso que os mais ferrenhos teologistas de hoje falam em Humanidade no sentido positivo, falam em paz na Terra para todos os povos, etc., mas no anseio impossível e contraditório de se volta a crer no Poder Supremo revelado pelos respectivos profetas; cada grupo com o seu, e todos els do tempo em que a guerra e a escravidão eram tidas como inevitáveis - um anseio simplório e ingênuo de fazer o tempo parar ou voltar para umas coisas e não para outras. Imagine-se o grande César, romano, voltara crer em fetiches, bezerros ou escaravelhos; ou os grandes São Paulo e Maomé voltarem a crer em Marte, Júpiter, Apolo?!...

    Ora, o conceito positivismo de Humanidade que se demonstra hoje, é o da verdadeira Entidade Suprema, real e bem definida, subordinada à Ordem Natural, independente de vontades; diferente daquele que por ventura pudesse ser concebido no tempo dos profetas. Naquele tempo esse conceito não podia existir a não ser empiricamente em algum daqueles raros grandes tipos humanos, que estivessem muito acima de seu tempo, representando  involuntáriamente a própria Humanidade que então era, ordinariamente, confundida com a entidade teológica.

   Admitindo-se a possibilidade de o positivismo não vingar, teríamos de admitir também, a melancólica possibilidade de estarmos à beira da extinção das espécies, visto a geral e progressiva retrogradação moral, culminando com a conseqüente desertificação e fatal destruição da vida do planeta. Os inequívocos sinais disso, só a orgulhosa cegueira teológico-metafísica não vê, ou é incapaz de ver.

   Para que os espíritos progressistas possam demonstrar na prática, a organicidade e a construtividade da doutrina positivista, é forçoso liberar plenamente o ensino, possibilitando incluir no currículo escolar o moderno sistema universal, que o espírito teológico-metafísico retrógrado, tende demasiado a desprezar ou ignorar.

   Não há como fugir das previsíveis fatalidades impostas pela Ordem Natural, a não ser preveni-las aplicando a terapêutica indicada pelas ciências social e moral, desvendadas e recomendadas pelo extraordinário gênio positivista.

 

Curitiba,15/04/2005

Pedro Bertomé Mendonça - bertome@cwb.palm.com.br
Centro Positivista do Paraná- www.palm.com.br/cpp